A habitação é um direito


Nos últimos anos, graças ao desenvolvimento da ciência, a consciência humana cresceu. Nos últimos meses testemunhamos movimentos de cidadãos que abandonaram o medo de um futuro distópico. Físicos da atmosfera, biólogos, geólogos – é urgente que todos atuem radicalmente e rápido. A conexão com as nossas decisões profissionais é direta: o ambiente construído é responsável por 40% [1] de uso de energia e destruição dos habitats naturais [2]. Como resposta, decidimos atuar mais ativamente. Depois de UK Architects Declare Climate Emergency and Biodiversity Loss surgem vários movimentos para desenhar e construir arquitetura mais responsável e na harmonia com natureza.

Hans Rosling, estatístico de Instituto Karolinska, dividiu os países em quatro grupos baseados nos seus PIB e expectativa de vida. Os mais pobres estão na África. Um estúdio breve de dados de ONU [3] de crescimento da população leva à conclusão que sejam mais do que 250 milhões de pessoas que nos próximos 15 anos se mudarão nas cidades africanas. Alguns casos são extremos, como Luanda, a qual crescerá para 6 milhões de habitantes. O crescimento pode observar-se na maioria entre os mais pobres a habitar slums, a negligenciar a natureza e a contribuir para as alterações climáticas. A ONU Habitat indica que, nos dias de hoje, a habitação deveria ter quatro pisos. Pelo contrário, vários planos de desenvolvimento, como por exemplo o do Laboratório de la Vivenda no México, estudam principalmente casa particular e não o conjunto habitacional.

A investigação que eu proponho fará uma revisão dos programas de habitação desde os anos sessentas, para ver como funcionam hoje, como as pessoas apropriam o espaço e como habitam os edifícios. Também é intenção fazer uma revisão da pré-fabricação, não incidindo em materiais como o betão e o aço, mas em materiais locais. Desde que Waugh Thistleton [4] Architects substituíram betão por madeira para armazenar dióxido de carbono e construir casas multifamiliares, compreendemos que é desnecessário usar materiais destrutivos. Deveríamos repensar esta técnica e (re)aprender a usar materiais antigos ou pesquisar alternativas — mas quais? Uma possibilidade de resposta poderia ser a matriz de The Ellen MacArthur Foundation [5] que nos ajuda a avaliar o material, o seu desempenho e o seu ciclo da vida.

O clima e a cultura são as bases da arquitetura tradicional. A ampla e profunda investigação desta temática encontra-se nos trabalhos de Hassan Fathy [6] , Johan van Lengen [7] ou Paul Oliver [8] . A arquitetura vernacular evoluiu no seu território depois de inumeráveis provas de organização de espaço, materiais e formas. Hoje usam-se várias ferramentas digitais [9] para simular o meio ambiente e o seu impacto na arquitetura que surgiu do Estilo Internacional. Optimizar-se os edifícios padronizados para obter melhores desempenhos. Pode otimizar-se a arquitetura vernacular?

John Habraken [10] , Oscar Hansen [11] e Aravena [12] investigavam o open form. O conceito que deixa ao arquiteto a tarefa de apenas fazer o support para o futuro desenvolvimento do edifício, incentivando a autoconstrução.
A criar uma forma suficientemente aberta através da pesquisa e colaboração com os habitantes. Através da (auto)construção, pode aprender-se, de construir a própria casa, uma profissão e tornar-se o artesão que outrora propôs Hassan Fathy?

Em suma, o propósito da tese é investigar os processos arquitetónicos para construir um protótipo da habitação multifamiliar, num país africano, para construir com segurança e dignidade o futuro dos menos privilegiados.
O projeto pesquisará também um partner institucional para entender as necessidades e construir in situ as respostas que se pesquisa, não imaginárias.


[1] UN Environment, Global Status Report 2017, p.14
[2] IPCC Report 2019, Climate Change and Land, p. 41
[3] UN Report: World Urbanization Prospects: The 2018 Revision
[4] Waugh Thistleton Architects. 2015. Curtain Place
[5] https://www.ellenmacarthurfoundation.org/assets/downloads/1.-Safe-Circular-Materials-Journey-Mapping-PY.pdf, accesso 4.10.2019
[6] Fathy, Hassan. 1973. Architecture for the poor: an experiment in rural Egypt. 
[7] Lengen, Johan van. 2008. The barefoot architect: a handbook for green building.
[8] Oliver, Paul. 1997. Encyclopedia of vernacular architecture of the world.
[9] Sadeghipour, Mostapha. 2013. Ladybug: environmental plugin to create an environmentally-conscious design. Proceedings of BS 2013
[10] Habraken, John.1961. Supports an alternative to mass housing.
[11] Hansen, Oskar.2005. Ku formie otwartej.
[12] Aravena, Alejandro. 2008. Quinta Monroy

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